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O Brasil precisa vencer os extremismos

Estamos perto do fim de uma das mais conturbadas campanhas eleitorais de nossa história. Se um atentado contra a vida de um dos candidatos marcou o primeiro turno, o segundo turno está registrado pela disputa da rejeição em que o medo e o ódio pautam o voto. Tudo lamentavelmente permeado pela disseminação maciça de notícias falsas. É assustador que diante de uma conjuntura política, social e econômica carente de ações que transformem radicalmente o atual cenário, a campanha tenha se mostrado tão pobre e vazia no embate de ideias e propostas. 

Neste ambiente radicalizado – e não há veneno maior para a democracia do que aquele que impõe a ausência da razão – quem primeiro perece é a moderação, sem a qual, o diálogo, peça indispensável para a conciliação entre as partes, aconteça. É neste cenário que o eleitorado precisa buscar a racionalidade para exercer de maneira absolutamente consciente o poder/dever de seu voto. Ele não tem preço, tem consequência. A decisão precisa ser muito bem ponderada. Não se trata de uma discussão de botequim, tão pouco bate-boca sobre preferências esportivas. A política é um dos fios condutores da vida das pessoas. É o que está em debate neste momento: a vida das pessoas.

O Brasil precisa vencer os extremismos de direita e de esquerda para encontrar um novo consenso, capaz de reunificar a sociedade em torno daquilo que nos une: a superação da crise ética, moral e econômica que hoje coloca em xeque nosso desenvolvimento e assusta a todos. Se temos um caminho a seguir, temos também desafios a superar. É preciso vencer as barreiras que hoje tornam mera ficção os direitos fundamentais que são custeados pela maioria, mas acessíveis a um contingente ínfimo de cidadãos. Porém, a necessidade de reformas não pode ser desculpa para retrocessos. 

Para que tudo isso se torne realidade é indispensável o respeito pleno às instituições democráticas e a Constituição Federal, que acima de quaisquer ideologias é a bússola a dar norte a qualquer nação que se pretenda soberana. Não há solução fora da lei e tentativas de tangenciá-la devem ser vigorosamente denunciadas e combatidas. Nossa democracia precisa de menos confronto e mais encontro que venha marcado pela serenidade e equilíbrio de nossos agentes públicos que devem saber que o poder emana do povo e em seu nome é exercido por meio de seus representantes eleitos.

Fonte: Claudio Lamachia - Presidente Nacional da OAB

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